Para governadores, golpismo e interesse pessoal movem Cunha

04/12/2015 - 10:32

Enquanto parlamentares se inscrevem para repercutir pedido de impeachment, governadores do Nordeste enviam ao Congresso documento em que classificam ação como retrocesso institucional

Rede Brasil Atual

 

O Congresso recebeu na tarde de hoje (3) uma nota assinada por governadores dos nove estados da região Nordeste criticando o acolhimento do pedido de impeachment por Eduardo Cunha após a notícia de que o PT iria votar contra ele no Conselho de Ética. Os governadores destacam, no documento, que Cunha reagiu por motivação pessoal e classificam a atitude do deputado como “indesejado retrocesso institucional”.

 

“Na verdade, a decisão de abrir o tal processo de impeachment decorreu de propósitos puramente pessoais, em claro e evidente desvio de finalidade. Diante desse panorama, os governadores (dos estados) do Nordeste anunciam sua posição contrária ao impeachment nos termos apresentados, e estarão mobilizados para que a serenidade e o bom senso prevaleçam”, acentua o documento, que acrescenta, ainda, que “o  Brasil precisa de união e não de golpismos.

 

A nota tem a assinatura dos governadores Camilo Santana (PT-CE), Flávio Dino (PCdoB-MA), Jackson Barreto (PMDB-SE), Paulo Câmara (PSB-PE), Renan Filho (PMDB-AL) Robinson Farias (PSD-RN), Ricardo Coutinho (PSB-PB), Rui Costa (PT-BA) e Wellington Dias (PT-PI).

 

Enquanto isso, na Câmara dos Deputados, é lido há mais de três horas o requerimento que pede o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, acolhido ontem pelo presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). A leitura é feita pelo 1º secretário, Beto Mansur (PRB-SP). Parlamentares entram e saem do plenário a todo momento, e muita gente está inscrita para se manifestar. Mas a peça jurídica lida por Mansur é longa, e ele não dá sinais de estar perto do final.

 

Distribuição das legendas

Na reunião realizada entre os partidos políticos para definir a distribuição entre cada legenda na comissão que vai apreciar o impeachment, encerrada esta tarde, as lideranças acertaram que dos 65 deputados que terá a comissão, os partidos com maior número de integrantes serão PT e PMDB, cada um com o direito de indicar oito deputados. Em seguida vem o PSDB, que poderá ter seis representantes na comissão. A composição segue a proporcionalidade dos partidos na Casa.

 

PP, PSD, PR e PSB indicarão, cada um, quatro deputados. O PTB indicará três, e um bloco formado pelas siglas DEM, PRB, PDT, SD, PSC e Pros vão indicar dois parlamentares.

 

Terão direito, nesta proporcionalidade, a indicar um representante, as legendas PCdoB, PPS, PV, PHS, PSol, PMN, PEN, PTC, PTdoB,  PMB e Rede. Ao passo que não terão direito a indicar representantes as bancadas do PRP, PSDC, PRTB e PSL. Mediante um acordo feito entre as lideranças partidárias, cada bancada tem até segunda-feira para indicar os nomes dos deputados, mas alguns partidos já se anteciparam.

 

O Solidariedade divulgou há pouco que os seus deputados na comissão serão Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força (SP), e Arthur Oliveira Maia (BA). No PSDB, o líder Carlos Sampaio também disse que a legenda vai antecipar seus nomes até a tarde de amanhã, embora já estejam confirmados o próprio Sampaio e Bruno Araújo (PE). Mas ele destacou que os tucanos têm interesse em fazer com que os próprios líderes e vice-líderes é que sejam os demais representantes da legenda na comissão.