Em Natal, gigante do setor têxtil enfrenta paralisação pela manutenção de empregos

17/12/2021 - 10:16

Mobilização, liderada pelo Sindtêxtil RN, levou a Coats Corrente a garantir emprego para 75 trabalhadores


    No último dia 15, uma paralisação promovida pelo Sindtêxtil  Rio Grande Norte, sindicato filiado à Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Vestuário da CUT, CNTRV, conquistou a garantia de emprego para 75 trabalhadores que tiveram seus postos de trabalho na Coats Corrente fechados de forma repentina e arbitrária.

    “Logo no início da madrugada do último dia 15, a chefia da fábrica chamou os trabalhadores e anunciou o fechamento do turno C, sem dar nenhuma garantia de emprego. Foi um ato desumano, que deixou dezenas de trabalhadores angustiados com a chegada do desemprego, invés do Papai Noel”, conta José Nogueira, presidente do Sindicato.

    O sindicalista denunciou a atitude arbitrária da Coats, uma das maiores empresas têxteis do mundo.  “Em nenhum momento, a empresa dialogou com o Sindicato sobre o fechamento do turno C. Fiquei sabendo pelo WhatsApp, na madrugada do dia 15. De manhã, fomos para o portão da fábrica e cerca de 400 trabalhadores do primeiro turno não ingressaram para trabalhar”.

José Nogueira, presidente do Sindicato dialoga com a categoria sobre arbitrariedade da CoatsJosé Nogueira, presidente do Sindicato dialoga com a categoria sobre arbitrariedade da Coats

Liderados pelo Sindicato, os trabalhadores e trabalhadores decidiram manter a paralisação até que a empresa assumisse o compromisso de realocar seus companheiros do turno C para os demais turnos, fato que ocorreu ainda na manhã do dia 15. De acordo com informações do Sindtêxtil RN, a Coats assinou um documento se comprometendo em realocar para os demais turnos, todos os trabalhadores que desejarem permanecer na empresa.

Atitude não corresponde com a importância da Coats no mercado

    A Coats Corrente é uma gigante da indústria têxtil. Em seu site, se orgulha em manter 17 mil trabalhadores em 50  países e ter seus produtos comercializados em 150 nações ao redor do mundo.

    A página destaca ainda, como princípios da empresa, respeito e  transparência, valores que passaram longe da atitude tomada em Natal. “No Rio Grande do Norte, tem um sindicato combativo que mobilizou os trabalhadores, enfrentou a empresa e garantiu o respeito aos trabalhadores, mas, e onde não tem?” questionou Francisca Trajano, presidenta da CNTRV.

    Para Trajano, os trabalhadores precisam de um espaço par debater realidades, unificar pautas e cobrar igualdade no tratamento, independente da localização da fábrica. “Os trabalhadores precisam ter uma organização do tamanho da empresa. Nesse sentido, esse episódio ocorrido em Natal só reforça a necessidade de criação e fortalecimento da rede de trabalhadores da Coats”, projetou a sindicalista.